Família – Lugar de Perdão


Não existe família perfeita.
Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos.

Temos queixas uns dos outros.
Decepcionamos uns aos outros.
Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão.

O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual.
Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece.

O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração.
Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus.
A mágoa é um veneno que intoxica e mata.

Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo.
É autofagia.
Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

E por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa.

O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.

Papa Francisco
Imagem: Steve Hanks

Essa Moça…

Lá está ela, mais uma vez.
Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso.
Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever.
Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.

Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas.
De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar.
Ela não desiste e leva bóias.
E se ela se afogar, se recupera.

Estranho e que ela já apanhou demais da vida.
Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta.
E quem não é?

A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?

A moça… Ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também.
Porque amar também é isso, não?
Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando.
Daí você espera por alguém que venha te curar.

Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.
E pra ela?
Por quem ela espera? 

E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.

A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente.

Não por ser forte, e sim pelo contrário... 
Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência.

E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda.
Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados, 1982
Imagem: Black Hat II, David Gray  

A Beleza do Hoje


Nunca deixe que a saudade do passado...
Ou que o medo do futuro...
Estraguem a beleza do hoje.

Pois há dias que valem um momento...
E há momentos que valem por toda a vida.
Não há o que fazer quando alguém não quer ficar

Autor desconhecido


De Mãe para Mãe

Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após um noticiário na TV:

Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão, contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM, em São Paulo, para outra dependência da FEBEM, no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes, decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc…

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender seu protesto. Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho.
Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos, porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família…

Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha para mim importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo-locadora, onde meu filho trabalhava, durante o dia, para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo…

Ah! Ia me esquecendo…
E também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu, que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.

Nem no cemitério, nem na minha casa, nunca apareceu nenhum representante destas "Entidades" que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar "Os meus direitos”!

Se concordar, circule este manifesto!
Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil.

DIREITOS HUMANOS SÃO PARA HUMANOS DIREITOS

Imagem: Mother and Son by AphotoFrenzy


Will Smith


Quando eu cantava Rap
Diziam que a música era sem sal e sem açúcar

Quando eu comecei a ser ator
Diziam que eu era apenas um maluco no pedaço

Quando eu fui fazer filme
Diziam que eu só sabia fazer comédia

Eu não os escutei

Quando era pequeno meu pai me disse:
- “Filho, você pode ser o que quiser na vida.
   Um muro não nasce pronto.
   Ele é feito tijolo por tijolo.”

E assim construí minha carreira, tijolo por tijolo.

Não sou talentoso, só um pouco…
Sou doente por trabalho duro…
Outros dorme… Eu trabalho
Outros comem… Eu trabalho
A câmera sente… Sou feliz trabalhando
Eu amo viver. Não dá pra fingir.

Foi assim que
Fui o primeiro Rapper a ganhar um Grammy…
Vendi milhões de discos…
Gravei seis anos “Um Maluco no Pedaço”…
Fui indicado por duas vezes ao Oscar, com filme de drama…
Virei estrela de Hollywood na calçada da fama….
Quase todos os meus filmes fizeram sucesso…

Por isso lhe digo…
Deixe seu sorriso mudar o mundo.
Não deixe o mundo mudar o seu sorriso.

Sua família, seu trabalho, sua vida têm que significar algo
Quero que o mundo seja melhor porque Eu estive aqui

Se você não está fazendo a vida de alguém melhor,
Você está desperdiçando o seu tempo.
Sua vida será melhor ao proporcionar o melhor na vida de outra pessoa.
Will Smith
Imagem: Will Smith by Mocasta








Impressione-me!

Impressione-me!
Mostre-me a sua disposição em servir.
Conte histórias para quem perdeu a própria,
visite quem não espera mais ninguém,
segure na mão de quem está com medo,
fale de amor para quem foi esquecido.

Impressione-me!
Faça valer um direito de todos,
pense no coletivo, não seja mesquinho.
Jogue o lixo no lixo, ande mais a pé,
cuide do parque, plante uma árvore,
leve esperança, desperte a fé.
Não deixe rastros de imundice na praia,
nem da intolerância no trânsito,
porque o mal, facilmente se espalha.
Seja civilizado em todo e qualquer lugar.

Impressione-me!
Guarde a língua na boca, emudeça!
Se é para falar dos outros, que sejam elogios.
Se é para falar de você, seja humilde,
se é para falar de amor, que seja um gesto amoroso.
Se é para ler o Evangelho, é bom praticá-lo.
Menos sermão, mais ação!

Impressione-me!
Guarda a reclamação vazia, lute mais um pouco.
Descanse na hora certa, leia um bom livro.
Fale mais com seus filhos, amigos ou irmãos.
Não se isole, não se ausente, não invente.
O mundo é cercado de energias que nem sempre vemos,
mas sentimos e nós mesmos.

Por isso, agarre-se ao amor sem limites.
Como quem se agarra a um pedaço de madeira em alto-mar.
Ainda que seja pequeno, ele te sustentará,
você vai sobreviver, não se afogará.
Porque o amor tudo pode, tudo permite, tudo transforma.

Por isso, impressione-me de verdade.
Mesmo com dor e pesar,
nunca deixe de amar.
Paulo Roberto Gaefke
Underwater photo by Kurt Arrigo



Arvore da Vida dos Amigos

Existem pessoas nas nossas vidas que nos fazem felizes pela simples casualidade de terem cruzado o nosso caminho.

Algumas percorrem o caminho a nosso lado, vendo muitas luas passar, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.

A todas chamamos amigos e há muitas classes deles.

Talvez cada folha de uma árvore represente um dos nossos amigos.

O primeiro que nasce é o nossos amigo Pai e a nossa amiga Mãe, que nos mostram o que é a vida.

Depois, vêem os amigos Irmãos, com quem dividimos o nosso espaço para que possam florescer como nós.

Passamos a conhecer toda a família de folhas a quem respeitamos e desejamos o bem.

Mas, o destino apresentamos a outros amigos, os quais não sabíamos que iriam cruzar-se no nosso caminho. A muitos de eles chamamos-lhes amigos da alma, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz.

E ás vezes um desses nossos amigos da alma estala no nosso coração e então chamamos-lhe um amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, saltos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos de passagem, talvez umas férias ou uns dias ou umas horas. Eles colocam-nos sorrisos no rosto durante o tempo que estamos com eles.

Falando do assunto, não podemos esquecer os amigos distantes, aqueles que estão na "ponta das ramas" e que quando o vento sopra, sempre aparecem entre uma folha e outra. O tempo passa, o Verão vai-se, o Outono aproxima-se e perdemos algumas das nossas folhas, algumas nascem noutro Verão e outras permanecem por muitas estações.

Mas o que nos deixa mais felizes, é que as folhas que caíram continuam junto, alimentando a nossa raiz com alegria. São recordações de momentos maravilhosos de quando se cruzaram no nosso caminho.

Desejo-te, folha da minha arvore, paz, amor, sorte e prosperidade.
Hoje e sempre…
Simplesmente porque cada pessoa que passa na nossa vida é única.
Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

Haverá os que levam muito, mas não haverá os que não nos deixam nada.

Esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por casualidade.
Conde Roberto

Manhã de Domingo


Ainda bem que existem as manhãs!
Nesse Domingo, o sol levantou-se, tímido, entre as nuvens.

Adilson Nogueira
Imagem: Bairro Nogueirinha, Itaúna - MG


A vida tem o sabor do aprendizado

A vida tem o sabor do aprendizado.
Tudo passa pela capacidade de assimilação.
Ser capaz de construir um experimento em cada situação, não é tarefa fácil.
Talvez seja a parte mais exigente dos dias.
No entanto, a vida aguarda por tais momentos.
São eles que aumentam o fascínio, inspiram segurança e provam a persistência.
Aprender com os fracassos é como eternizar uma lição que fora decorada e detalhadamente ensaiada.

Ninguém nasceu para fracassar.
Acontece que a vida é feita de escolhas.
A intuição pode ajudar.
Porém, uma minuciosa análise da realidade, com seus pontos fortes e fracos, não pode ser dispensada.
Ganhos e perdas devem subir à balança e permitir uma séria e prolongada reflexão.
Agir sem pensar, pode favorecer a derrota.

O conhecimento traz à tona as variáveis que descortinam o universo da complexidade.
Fracassar não é o fim.
Muitas vezes é o começo de algo mais sensato, um tanto sereno e bem próximo da realidade.
Dar o passo maior do que a perna, deixa de ser um ditado popular para se tornar uma orientação, válida em todas as estações.
Não convém sentir vergonha diante do fracasso.
Evidente que algo estranho invade a mente e o coração.

É necessário, no entanto, erguer a cabeça e dar conta de reunir o que sobrou para continuar apostando.
Transformar o fracasso em aprendizagem requer uma boa dose de humildade.
O orgulho não admite perdas.
Somente quem aceita suas próprias limitações, apesar das boas intenções, será capaz de dar um novo rumo, em busca de um final feliz.
Aprender sempre é um jeito criativo de viver.
Imagem: Daniel F Gerhartz

Pessoas

Pessoas feridas ferem pessoas;
Pessoas curadas curam pessoas;
Pessoas amadas amam pessoas;
Pessoas transformadas transformam pessoas;
Pessoas chatas chateiam pessoas;
Pessoas amargas amargam pessoas;
Pessoas santas santificam pessoas.
Quem eu sou interfere diretamente naqueles que estão ao meu redor.
Autor desconhecido
Imagem: Aphrodite by Franflow



Apaixonada


Apaixonada,
saquei minha arma,
minha alma,
minha calma,
só você não sacou nada.


Imagem: Sierra by Franflow


O Rosto Atrás do Rosto

À frente do rosto dele estava um outro rosto desconhecido. 
E o outro rosto não se movia.

Então ele viu o outro rosto. E era lindo, o outro rosto.
Ele ficou olhando, encantado com tanta beleza.
Mas o outro rosto não se movia.

Era tão bonito o outro que ele não resistiu à tentação de tocá-lo.
Talvez não devesse, pensou.
Quando pensou, já era tarde demais.
Tinha estendido a mão para tocar devagarinho na pele do outro rosto.
Deslizou as pontas dos dedos pela pele macia do outro rosto.
O outro rosto não se movia.

Tão bonito, o outro rosto sob seus olhos e tão macia a pele do outro rosto sob seus dedos, que num impulso aproximou ainda mais seu próprio rosto. 
Tão próximo agora que conseguia sentir seu próprio hálito, como um vento miúdo fazendo esvoaçar os cabelos finos, perfumados, da cabeça do outro rosto.
Mas o outro rosto não se movia.

Com toda a suavidade que era capaz, e era muita, tomou entre as mãos o outro rosto e foi aproximando sua boca da boca do outro rosto.
Até seus lábios tocarem nos lábios do outro rosto, à espera de que a saliva da própria boca umedecesse também a boca daquele outro rosto.
Com a ponta da língua, tentou abrir lentamente uma brecha entre os lábios do outro rosto.
Os lábios do outro rosto estavam secos e não se abriam.
E o outro rosto continuava sem se mover.

Mordeu então a boca do outro rosto.
Primeiro de leve, depois mais forte.
Cada vez mais faminto, arrancando pedaços de uma maçã vermelha.
Mordeu os lábios, o queixo, e também as faces e o nariz e os olhos do outro rosto.
Com doçura, com paixão, com ansiedade e fúria.
Mas o outro rosto não se movia.

Da mesma forma como tinha aproximado do seu o outro rosto, afastou-o com as duas mãos iradas.
Uma das mãos segurou com força os cabelos finos, perfumados, enquanto a outra erguia-se para esbofeteá-lo uma, duas, várias vezes.
Um fio de sangue escorreu do canto da boca do outro rosto.
Que mesmo assim, não se movia.

Então apanhou a navalha que trazia no bolso.
Um click seco libertou a lâmina.
E num golpe veloz, num único gesto, com todo ódio que era capaz, e era muito, cortou a pele macia do outro rosto.
E o outro rosto, lavado de sangue, ainda assim não se movia.

Então apanhou a pedra que trazia no bolso.
Ergueu-a no ar e com um golpe duro bateu na boca do outro rosto, para quebrar- lhe os dentes.
Os cacos escorreram pelos cantos da boca, pedras num rio de sangue.
Cortado, os dentes quebrados: o outro rosto não se movia.

Então apanhou o estilete agudo que trazia no bolso.
E com um golpe preciso, furou os dois olhos do outro rosto.
Cortado, dentes quebrados, olhos vazados: e não - o outro rosto não se movia.

Afastou o próprio rosto e contemplou novamente o outro rosto.
Embora destruído, o que restava do outro rosto continuava belo, e ainda imóvel, e também indecifrável.
Então percebeu: o outro rosto não era um rosto vivo.
O outro rosto era uma máscara morta sobre um outro rosto vivo. 

Estendeu as duas mãos e arrancou a máscara do outro rosto.
Por trás da máscara, por baixo do outro rosto estava o rosto dele mesmo.
Inteiro e sem ferimento algum, o rosto dele mesmo.
E era lindo, o próprio rosto vivo por trás da máscara morta do outro rosto.

Ele ficou olhando o próprio rosto.
Ele estendeu as mãos e tocou o próprio rosto com todo carinho - e eram hirto, esse carinho - que era capaz.

Foi então que o próprio rosto - que não era o outro rosto nem o rosto de outro, mas sim o próprio rosto vivo por trás da máscara morta de outro rosto - finalmente começou a se mover.

E disse:
Mais nítido que as ruas sujas, reata o hexagrama das cores do arco-íris suspenso no céu.

Caio Fernando Abreu - O Estado de S. Paulo, 22/10/1986

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